Instituto-Geral de Perícias ultrapassa 500 ligações confirmadas de armas de fogo no Sistema Nacional de Análise Balística
Ciência auxilia peritos na comparação de vestígios deixados pelo tiro ao armamento usado em crimes
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O governo do Estado, por meio do Instituto-Geral de Perícias (IGP), superou a marca de 500 ligações confirmadas entre vestígios de armas usadas em crimes no Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab). O resultado foi alcançado pela Divisão de Balística Forense do IGP.
Os peritos conseguem com métodos científicos identificar vestígios deixado pelo tiro e comparando ao armamento usado em crimes. Nenhuma arma de fogo deixa no projétil exatamente as mesmas marcas que outra, por mais que sejam fruto de processos industriais em larga escala. É essa característica que permite que os especialistas do IGP liguem as marcas provocadas pelo tiro às armas que dispararam.
No Sinab, uma ligação confirmada, também chamada de “hit”, acontece quando os peritos identificam, depois de análise e validação, que vestígios de ocorrências diferentes foram produzidos pela mesma arma. A conexão vale mesmo quando os crimes ocorreram em municípios ou estados distintos.
Em casos sem suspeitos definidos, o vínculo pode mudar os rumos da investigação, ao mostrar que a mesma arma foi usada em mais de um crime ou ao identificar a arma envolvida em um deles.
Evolução das análises
O sistema foi implantado na Divisão de Balística Forense em julho de 2022, e os números crescem a cada ano. Foram quatro ligações em 2022, 52 em 2023, 93 em 2024 e 159 em 2025. Em janeiro de 2026, o total acumulado chegava a 308 ligações, associadas a 235 armas relacionadas a crimes. Em pouco mais de nove meses, o Estado somou quase 200 novas confirmações até atingir as 500.
Para o chefe da Divisão de Balística Forense, perito Jonathan Tobias Ramos, o resultado vai além da tecnologia. “Alcançar essa marca exige mais do que recursos tecnológicos”, afirmou. “O trabalho depende do conhecimento técnico da equipe, da experiência na análise microscópica dos vestígios e do rigor na avaliação das correspondências que o sistema aponta. Os materiais são processados com cuidado, as informações disponíveis são analisadas e os resultados passam por validação pericial, etapas que transformam dados em evidências úteis à investigação”, complementou.
O perito destaca que o valor desse trabalho está em relacionar ocorrências que, à primeira vista, parecem isoladas. “Cada correspondência confirmada pode representar uma nova conexão entre fatos investigados”, disse Jonathan. Com isso, o laboratório fornece subsídios técnico-científicos às autoridades responsáveis pela apuração.
Liderança nacional
O desempenho se reflete nos indicadores do sistema. O IGP gaúcho ocupa o primeiro lugar do país em dois dos três critérios avaliados pelo Sinab: número de inserções e de correlações balísticas.
Desde janeiro de 2022, são mais de 17,1 mil inserções e 35,6 mil correlações visualizadas. Em 30 de junho de 2025, eram 11.361 inserções e 20.501 correlações. Em pouco mais de um ano, as inserções cresceram cerca de 51% e as correlações, cerca de 74%.
Coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o Sinab integra os bancos de dados balísticos de todo o país. As informações sobre projéteis e estojos recolhidos em locais de crime ou em armas apreendidas são inseridas no sistema, o que permite identificar correspondências entre ocorrências, armas e suspeitos. Essas ligações também podem revelar padrões de criminalidade e a circulação de armas entre os Estados.
Texto: Gregório Mascarenhas/Ascom IGP
Edição: Secom