Boletim do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Rio Grande do Sul traz prognóstico para as culturas agrícolas
Documento apresenta previsão climática e orientações para o período de outubro a dezembro
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A primavera começou oficialmente na terça-feira (22/9), às 21h05, em todo o Hemisfério Sul, e termina no dia 21 de dezembro às 18h50. O período será marcado pela forte influência do El Niño nos Estados da Região Sul, segundo o Boletim 79 do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs). O documento, produzido pelo Conselho e coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), traz prognóstico e recomendações para o período que vai de outubro a dezembro deste ano.
O prognóstico climático indica condições favoráveis ao excesso de chuvas em todos os Estados da Região Sul. Os maiores volumes são previstos para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde os acumulados podem superar a média histórica do trimestre em até 200 milímetros. Em relação à temperatura, o Rio Grande do Sul deve registrar temperaturas próximas da média, com a região Sul do Estado podendo apresentar anomalias negativas de até 0,5°C.
Neste ano, a estação ocorre sob influência do El Niño, que deverá atingir intensidade muito forte, fenômeno que historicamente favorece chuvas bem acima da média no Rio Grande do Sul, especialmente durante a primavera. Seus efeitos costumam ser mais evidentes em outubro e novembro, período em que o sinal do fenômeno sobre a precipitação é climatologicamente mais forte no Estado, ocorrendo também, de forma mais irregular, nos meses de verão.
Esse padrão está associado ao fortalecimento do jato subtropical e dos jatos de baixos níveis, que intensificam o transporte de calor e umidade da região amazônica em direção aos subtrópicos.
Culturas
Ao longo do trimestre, são esperados episódios de chuva mais frequentes e, por vezes, intensos em todo o Estado, com maior destaque para as regiões norte e oeste. Também podem ocorrer períodos de tempestades, rajadas de vento forte e queda de granizo, associados à atuação de áreas de instabilidade, frentes frias, sistemas de baixa pressão e ciclones extratropicais.
Em algumas situações, sistemas frontais podem apresentar deslocamento lento ou permanecer semiestacionários entre a Argentina, o Uruguai, o Paraguai e o Sul do Brasil, favorecendo precipitações persistentes e acumulados elevados.
A condição de chuvas frequentes e, por vezes, volumosas, associada a temperaturas próximas à média e acima dela, tende a favorecer o desenvolvimento das culturas de verão. Além da produção de grãos, as pastagens também poderão ser beneficiadas, desde que apresentem condições adequadas de nutrição, favorecendo o rebrote e a disponibilidade de massa verde para a alimentação dos animais.
Contudo, a menor incidência de radiação ao longo do período poderá trazer desafios para o planejamento do plantio da safra 2026/27. A ocorrência de chuvas frequentes reduz os intervalos favoráveis para o manejo das lavouras e dificulta a entrada de máquinas nas áreas agrícolas. Esse cenário tende a comprometer a uniformidade de emergência das plantas e reduzir o estande das lavouras de soja e milho de primeira safra, fator importante para a produtividade final dessas culturas.
Nas áreas de cultivo de arroz irrigado, as condições tendem a ser mais desafiadoras, principalmente devido à existência de áreas com drenagem deficiente. A combinação de solos com menor capacidade de drenagem e elevados acumulados de chuva poderá provocar excesso de água no solo e comprometer a emergência e o estabelecimento inicial das lavouras.
Indicações Técnicas
Manter o solo coberto, evitando ao máximo períodos sem plantas mantendo-o sempre protegido, seja com culturas para produção de grãos, plantas de serviço ou de cobertura, espécies forrageiras e/ou mix de espécies, a fim de evitar a erosão e perda de solo e nutrientes.
Mesmo com prognósticos de El Niño e previsões de chuvas acima da média, dada a alta variabilidade espacial e temporal da distribuição hídrica, e a menor influência do fenômeno prevista para o período de verão quando a demanda evaporativa é mais elevada, recomenda-se aproveitar o período para melhorar a capacidade de armazenamento de água no solo e realizar a reserva hídrica.
Texto: Ascom Seapi
Edição: Secom